O dia em a a existência da minha família fez algum sentido.

Esses dias eu estava conversando com o meu irmão sobre a nossa família. Tanto ele quanto eu sempre tivemos problemas com a nossa família. Sempre nos sentimos fora de sintonia com a nossa família.
Quando criança, nunca fez sentido estar juntos com aquelas pessoas. Quero dizer, é claro que nos entendámos como filhos dos nossos pais. Mas a maneira como as coisas aconteciam, as brigas, a bagunça, o afeto raso, tudo isso era muito estranho.
Conversando com ele sobre nossos passados algumas coisas foram se encaixando. E são coisas pessoais, que não cabem nesse texto público.
Mas consegui tirar algum aprendizado quando tive uma espécie de epifania algum tempo depois ao refletir sobre nossa conversa.
Na epifania me veio a pergunta: Por que a família? Aquela coisa tão estranha que vivemos de forma intensa quando erámos crianças e vivíamos com os nossos pais.
Me parece que família é algo que vem para te dar um propósito. O primeiro propósito que nós sentimos é o propósito da sobrevivência.
E a maneira mais adequada que encontramos pra sobrevir, é ficar juntos. Cada um cuida do próximo.
Pra isso é preciso ficar muito junto. Junto de verdade. Tão junto que você não consegue entender como, apesar de tantas diferenças, você sempre volta. Volta pra abraçar e sentir aquele calor que você sentiu lá no começo da sua vida.
Se tudo isso é motivado primordialmente pelo sentida da sobrevivência, então a pergunta primordial é: por que vivemos?
Talvez estejamos aqui para aprender o que é amar de verdade.